HTPC ESCOLAR

               Nesta página, publicaremos os nossos trabalhos pedagógicos coletivos, realizados em nossas reuniões semanais em conjunto com nosso corpo docente.
               O Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo deve se destinar a um momento de constante aprendizado e troca de experiências entre o corpo docente e coordenação. Este momento deve por em pauta as dificuldades do dia-a-dia do professorado e deve-se buscar em conjunto soluções para sanar tais dificuldades.
              Nossa Escola realizada encontros semanais em que nossas professoras trazem temáticas que podem ser abordadas nas próximas reuniões.
              O HTPC deve ser um momento de troca, onde professores sintam-se a vontade para colocar suas dificuldades e frustrações, na certeza de que seus problemas na maioria das vezes são enfrentados por todos os docentes.

Htpc - tipos de textos que podem ser trabalhados com os alunos:

Htpc - ferramentas pedagógicas:


ÁBACO

ALIUNHAVO

CUISENAIRE
ALFABETO MÓVEL

GEOPLANO

BLOCO LÓGICO
MATERIAL DOURADO 
CAIXA TÁTIL 
CATAVENTO

ROSA DOS VENTOS

QUADRO POSICIONAL

TANGRAM

ORIGAMI

TORRE DE HANÓI

BIRUTA 

Htpc - a importância da educação:




 Htpc - Cantigas e brincadeiras de roda:

REDESCOBRINDO A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS DE RODA

E CANTIGAS FOLCLÓRICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Francine Krum Gonçalves - Musicoterapeuta

Quando nos deparamos com alguém cantando, nossa tendência é logo comentar: “Nossa, fulano está feliz...”. E não deixa de ser verdade. Estava certo Dom Quixote de la Mancha que disse: ”Quem canta seus males espanta”. É de vital importância estimular a criança desde cedo para o canto, a dança, o movimento e a expressão corporal. Antigamente era muito usado pelos pais e a escola, ensinar cantigas de roda, de ninar e brinquedos cantados para as crianças. Como não existia televisão, computador, jogos eletrônicos ou excesso de atividades artísticas, os pais cantavam para seus filhos, ensinavam canções, e as crianças desenvolviam corpo e mente através das brincadeiras de roda.

Essas letras e quadras conservaram as características de origem e passaram de geração a geração, constituindo-se, hoje, em uma tradição popular. Infelizmente são poucas as famílias que ainda cultivam esta tradição, como conseqüência as crianças desconhecem tais cantigas. Hoje muitos adultos lamentam a pouca valorização das canções folclóricas infantis no convívio familiar e na escola. Não só pôr saudosismo, mas porque acreditam que elas foram importantes durante um bom período de suas vidas. Observa-se, no entanto, que as crianças jamais pararam de cantar, apenas cantam outras coisas. Nestas outras coisas estão incluídas as músicas de sucesso do rádio e da televisão, improvisações e canções folclóricas.

A necessidade de se expressar continua, mudam as letras, variam os movimentos e encenações, mas em essência o que as crianças fazem muito se parece com o que outrora se fazia. Ocorre que a vida das crianças mudou muito, poucas têm somente o colégio como ocupação diária, além das mudanças sociais que impossibilitam a manifestação das mesmas coisas que foram expressadas há tempos atrás.

Já é possível sentir a uniformidade preocupante nos modos de expressão e a pouca e incorreta exploração da voz durante as interpretações. Na falta de uma orientação melhor, as crianças não tem outra alternativa senão a de seguir os padrões que lhe são impostos enquanto pais e educadores insistem em apenas lamentar que já não se brinca mais como antigamente.

As crianças não precisam reinventar cantigas de roda, quando dispomos de vasto repertório de canções com traços bem marcados da nossa cultura. Parece que as mudanças sociais fizeram com que os pais e educadores desacreditassem do que sabem, como se fosse possível uma reinvenção cultural de cada geração. Deixar de cantar ou cantar pouco as canções folclóricas tem como  resultado o enfraquecimento dos traços culturais e a conseqüente fragilidade nos padrões de identidade social. Sem as raízes que nos situam num tempo e num espaço único e peculiar, carecemos de valores, costumes, formas de expressão que permitam transitar entre a fantasia e a realidade, até a construção do nosso próprio modo de ser.

As trocas sociais são facilitadas, durante o canto em conjunto, pelo poder que este tem de aproximar as pessoas. Contrabalançando momentos de atividade coletiva e de participação individual, as cantigas de roda dão espaço para o “eu” e para o “nós” na formação das  crianças.

O texto e o esquema de repetições das cantigas de roda oferecem uma vivência muito rica da estrutura da língua materna. Quadrinhas, rimas, refrões, estrofes de quatro e dois versos, encenações, diálogos, dramatizações, solos e cantos em uníssono, fazem parte da riqueza do vasto repertório de cantigas de roda. O contato com esse material amplia e favorece a ampliação de formas cada vez mais complexas de linguagem. Durante as rodas cantadas, a criança se movimenta, num protótipo da integração do corpo, do grupo e da aprendizagem.

Realmente pode-se notar a grande contribuição que as cantigas e brincadeiras fazem no desenvolvimento da criança.

ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS

• Expor, em cartaz, o texto na sala de aula.

• Brincadeira com as crianças fazendo os gestos e movimentos que cada cantiga de roda permite.

• Levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos, acerca do texto.

• Repetição, várias vezes, da música com os alunos, sinalizando no texto as palavras cantadas.

• Utilização do domínio do texto, pelos alunos, como recurso na apropriação da base alfabética.

• Destaque de palavras do texto no trabalho da consciência fonológica.

• Realização de atividades de escrita: lacunados, plaquinhas com palavras, caça-palavras, ordenação de tirinhas, técnica da preguicinha, autoditado, desenho da história da música.

• Investigação de outras cantigas de roda.

• Confecção do livro de cantigas de roda, expondo o material produzido.

• Dramatização das cantigas e música.

Htpc - Conceito de leitura:

Htpc - Felicidade cansa? - Folhinha - Folha de São Paulo:Escritor imagina o que acontece depois do 'felizes para sempre'

GABRIELLA MANCINI
DE SÃO PAULO

Certa manhã, o escritor Antonio Prata recebeu uma visita inesperada. Princesas, caçadores e anões surgiram em seu apartamento com um pedido fantástico: ajudá-los a não serem mais felizes para sempre.
Para isso, ele precisava inventar histórias que acontecessem depois do "fim" dos livros, quando tudo virava um tédio só. Esse encontro (e as tais histórias inventadas por Prata) está no divertido livro "Felizes Quase Sempre" (ed. 34; R$ 28), ilustrado por Laerte, cartunista da Folha.
Em sua primeira obra para crianças, o autor mostra que uma vida perfeitinha, sem nenhum tropeção, pode ser bem chata. O livro será lançado hoje (veja horário e endereço no quadro acima) e as crianças estão convidadas a comparecerem fantasiadas. Prata também aparecerá disfarçado. De quê? "Ah, isso é segredo", diz.
Confira a seguir trechos do bate-papo do escritor, que é colunista da Folha, com a "Folhinha".



FOLHINHA - Como surgiu a ideia deste livro?
ANTONIO PRATA - Quando era criança, imaginava o que acontecia depois do fim das histórias. Pra onde iam todos aqueles personagens? Esse foi o meu ponto de partida para escrever o livro.

Tem algum conto de fadas preferido?
Nunca gostei muito de contos de fadas. Só de pedaços: a carruagem que vira abóbora, os anões da Branca de Neve, que sempre achei engraçados. E as madrastas, por quem eu nutria uma paixão secreta.

Há outras histórias para crianças a caminho?
Tenho uma ideia para outro livro. É sobre duas árvores que crescem sonhando com o que vão virar quando forem derrubadas. Não acham mau negócio virar cadeira e esperam ansiosamente pelo dia em que conhecerão o mundo para além da mata. Para adultos, estou terminando um livro com memórias da infância.

De que se queixam os personagens

CAVALOS
Até eles se queixam da vida que têm após o fim das histórias. Mas, como ninguém sabe falar a língua dos cavalos, nunca saberemos do que reclamam.

CINDERELA
Prefere ver a carruagem virar abóbora a calçar mais uma vez o sapatinho de cristal. Já o príncipe acha que precisam de um vilão para devolver emoção às suas vidas.

CAÇADORES
Morrem de tédio porque há anos não tiram uma avó da barriga do lobo ou salvam uma donzela. Só bebem chá e jogam dominó.

BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
Sentem vontade de arrancar os cabelos cada vez que precisam cantar "eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou".


Htpc - Luva de Contação de História



Htpc - Importância do estímulo do professor

Quando um viajante tinha dez anos, a mãe obrigou-o a fazer um curso de Educação Física.

Um dos exercícios era pular de uma ponte na água. Ele morria de medo. Ficava no último lugar da fila, e sofria com cada menino que pulava na sua frente, porque sabia que em pouco tempo chegaria a sua vez.

O professor não dispensava ninguém de saltar, mas entendendo o medo daquele garoto, lhe fez uma proposta: — A partir de amanhã, você será o primeiro da fila. Eu vou estar do seu lado.

Foi uma noite de ansiedade, de sofrimento. Parecia que o medo aumentava. A vontade era de fugir. Porém, na manhã seguinte, lá estava o menino... Ele era o primeiro da fila e estava pronto para pular, mesmo com todos os seus medos.

Muitos dos colegas torciam para que ele conseguisse, outros ansiavam por vê-lo desistir e estimulavam a covardia.

Talvez, ele estivesse com mais medo do que antes, mas a exigência, o estímulo do professor e o companheirismo daqueles que compartilhavam de seus sentimentos tinham lhe dado a coragem de pular... e pulou na água... e conseguiu isto, em muitas outras vezes, até com um certo prazer.

Com certeza, precisou conviver e/ou superar seus medos, mas aprendeu a construir a vontade de superá-los.

Só é capaz de superar as dificuldades e investir nas soluções dos problemas, quem já os teve.
(Texto adaptado do livro Maktub, de Paulo Coelho, 1994, p. 47)


Htpc - Estudo errado - Gabriel Pensador
– Atenção pra chamada! Aderbal?


- Presente!

- Aninha?

- Eu!

- Carol?

- Presente!

- Douglas?

- Alô!

- Fernandinha?

- Tô aqui.

- Geraldo?

- Eu!

- Itamarzinho?

- Faltou.

- Juquinha?



Eu tô aqui pra quê?

Será que é pra aprender?

Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?

Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater

Sem recreio de saco cheio porque eu não fiz o dever

A professora já tá de marcação porque sempre me pega

Disfarçando, espiando, colando toda prova dos colegas

E ela esfrega na minha cara um zero bem redondo

E quando chega o boletim lá em casa eu me escondo

Eu quero jogar botão, vídeo-game, bola de gude

Mas meus pais só querem que eu "vá pra aula!" e "estude!"

Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi

Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde

Ou quem sabe aumentar minha mesada

Pra eu comprar mais revistinha (do Cascão?)

Não. De mulher pelada

A diversão é limitada e o meu pai não tem tempo pra nada

E a entrada no cinema é censurada (vai pra casa pirralhada!)

A rua é perigosa então eu vejo televisão

(Tá lá mais um corpo estendido no chão)

Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação

- Ué não te ensinaram?

- Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil

Em vão, pouco interessantes, eu fico...

Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio

(Vai pro colégio!!)

Então eu fui relendo tudo até a prova começar

Voltei louco pra contar:

Manhê! Tirei um dez na prova

Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova

Decorei toda lição

Não errei nenhuma questão

Não aprendi nada de bom

Mas tirei dez (boa filhão!)

Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci

Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi

Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci

Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi

Decoreba: esse é o método de ensino

Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino

Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos

Desse jeito até história fica chato

Mas os velhos me disseram que o "porque" é o segredo

Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo

Porque eu quero usar a mente pra ficar inteligente

Eu sei que ainda não sou gente grande, mas eu já sou gente

E sei que o estudo é uma coisa boa

O problema é que sem motivação a gente enjoa

O sistema bota um monte de abobrinha no programa

Mas pra aprender a ser um ingonorante (...)

Ah, um ignorante, por mim eu nem saía da minha cama (Ah, deixa eu dormir)

Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre

Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste

- O que é corrupção? Pra que serve um deputado?

Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso!

Ou que a minhoca é hermafrodita

Ou sobre a tênia solitária.

Não me faça decorar as capitanias hereditárias!! (...)

Vamos fugir dessa jaula!

"Hoje eu tô feliz" (matou o presidente?)

Não. A aula

Matei a aula porque num dava

Eu não agüentava mais

E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais

Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam

(Esse num é o valor que um aluno merecia!)

Íííh... Sujô (Hein?)

O inspetor!

(Acabou a farra, já pra sala do coordenador!)

Achei que ia ser suspenso mas era só pra conversar

E me disseram que a escola era meu segundo lar

E é verdade, eu aprendo muita coisa realmente

Faço amigos, conheço gente, mas não quero estudar pra sempre!

Então eu vou passar de ano

Não tenho outra saída

Mas o ideal é que a escola me prepare pra vida

Discutindo e ensinando os problemas atuais

E não me dando as mesmas aulas que eles deram pros meus pais

Com matérias das quais eles não lembram mais nada

E quando eu tiro dez é sempre a mesma palhaçada



Refrão



Encarem as crianças com mais seriedade

Pois na escola é onde formamos nossa personalidade

Vocês tratam a educação como um negócio onde a ganância, a exploração, e a indiferença são sócios

Quem devia lucrar só é prejudicado

Assim vocês vão criar uma geração de revoltados

Tá tudo errado e eu já tou de saco cheio

Agora me dá minha bola e deixa eu ir embora pro recreio...



Juquinha você tá falando demais assim eu vou ter que lhe deixar sem recreio!

Mas é só a verdade professora!

Eu sei, mas colabora se não eu perco o meu emprego.

Htpc - Quando a escola é de vidro  (Ruth Rocha)

                Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
                Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes...
                Eu ia pra escola todos os dias de manhã e chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
                É, no vidro!
                Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
                O vidro dependia da classe em que a gente estudava.
                Se você estudava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
                Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
              Se não passasse de ano, era um horror.
              Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado.
              Coubesse ou não coubesse.
              Aliás nunca ninguém se preocupou se a gente cabia nos vidros.
             E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
            Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
              Os muito altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.
              Ele ficava louco da vida e atarrachava a tampa com força, que era para não sair mais.
              A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...
             As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
             Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabiam nos vidros, se respiravam direito...
              A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de Educação Física.
              Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começar a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
              As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. E na aula de Educação Física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinham jeito nenhum para Educação Física.
              Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
              E alguns meninos também.
              Estes eram os mais tristes de todos.
             Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada à toa, uma tristeza!
             Se a gente reclamava?
             Alguns reclamavam.
             E então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim para o resto da vida.
             Uma professora que eu tinha dizia que ela sempre tinha usado vidro, até pra dormir, por isso é que ela tinha boa postura.
             Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer à vontade.
              Então a professora respondeu que era mentira, que isso era conversa de comunistas. Ou até coisa pior...
             Tinha menino que tinha até que sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saíam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que até estranhavam sair dos vidros.
             Mas uma vez, veio para a minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que é pobre.
             Aí não tinha vidro pra botar esse menino.
            Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo...
             Então, Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
             O engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado...
             E os professores não gostavam nada disso...
             Afinal, o Firuli podia ser um mau exemplo pra nós...
             E nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até meio que gozava a cara da gente que vivia preso.
              Então um dia, um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
             Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
             Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
            - Se o Firuli pode por que é que nós não podemos?
             Mas a Dona Demência não era sopa.
             Deu um coque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro... Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
             Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
             Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era diretor de lá da escola. Seu Hermenegildo chegou muito desconfiado:
            Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui na escola. Um perigo!
            A gente não sabia o que é que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
            E seu Hermenegildo não conversou mais. Começou a pegar os meninos um por um e enfiar à força dentro dos vidros.
           Mas nós estávamos loucos para sair também, e para cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro já tinha dois fora.
           E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era pra ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar vidros.
            E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais e Dona Demência já estava na janela gritando – Socorro! Vândalos! Bárbaros! (Pra ela bárbaro era xingação).
           Chamem os bombeiros, o Exército da Salvação, a polícia feminina...
          Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo. E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na série todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros.
           Na pressa de sair, começaram a esbarra uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar. Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
            Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo.
            Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
           E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
            Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
            Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
            Seu Hermenegildo não se perturbou:
            - Não tem importância. A gente começa experimentando isso. Depois a gente experimenta outras coisas... E foi assim que na minha terra começaram aparecer as escolas experimentais.
           Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...


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Planejar é preciso (Rosa Maria Antunes de Barros)

O planejamento sempre foi um instrumento importante
para o ser humano, em qualquer setor da vida em sociedade: no governo, na
empresa, no comércio, em casa, na igreja ou na escola. Planejar torna possível definir
o que queremos a curto, médio e longo prazo; prever situações e obter recursos;
organizar as atividades; dividir tarefas para facilitar o trabalho; avaliar.
Nem sempre nos damos conta de como o planejamento
está presente em nosso dia-a-dia. Até mesmo uma ida ao mercado requer
planejamento, para evitar compras desnecessárias e excessos no orçamento.
Mas isso não afasta os improvisos, que fazem parte
da vida e também são esperados, em um planejamento – às vezes, são eles que dão
‘aquele tom’, isto é, mais realce e qualidade àquilo que estamos pretendendo.
Mas, e na escola, como é o planejamento?
Para muitos, é o cumprimento de uma exigência
burocrática de diretores e supervisores de ensino. Muitos professores reclamam
pelo tempo que ‘perdem’ elaborando um plano do trabalho e muitas vezes nem
chegam a consultá-lo ao longo do ano. Um documento preparado com esse espírito
com certeza não tem função no cotidiano, pois não atende a uma necessidade
prática. E o que acaba acontecendo, então? De tudo um pouco.
• Alguns professores dão aulas de improviso: Na
hora eu resolvo o que vou trabalhar com os alunos.
• Outros transformam o livro didático em plano de
trabalho e dizem: É mais prático, não tenho tempo para ficar inventando
novidades.
• Outros, ainda, copiam todos os anos o mesmo
plano: Afinal, para que mudar? Ninguém vai ler mesmo!
• E há aqueles que fazem pequenas modificações nos
planos anteriores, nem sempre muito significativas.

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UM PLANEJAMENTO DE VERDADE




Mas não podemos deixar de falar dos professores
que, para elaborar seu planejamento, levam em conta:
• o tipo de aluno que a escola pretende formar;
• exigências colocadas pela realidade social;
• resultados de pesquisas sobre aprendizagem;
• contribuições das áreas de conhecimento e da didática.
Para esses professores, o
planejamento é um instrumento de fato – um meio de organizar o trabalho e
contribuir para o aprendizado dos alunos.